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MENSAGEM DO DELLA MORENA (04/07)

Núcleo Digital - 04.jul.2019

Lei do Retorno

Paulo e sua esposa estavam atravessando uma avenida de grande movimento na cidade de São Paulo, quando perceberam no outro lado da rua dois rapazes que também os olhavam.

O marido pressentiu que seriam assaltados e disse à esposa para cuidar melhor da bolsa que levava à tiracolo.

Como não tinham mais como desviar o caminho, foram em frente, com os corações sobressaltados.

Quando se aproximavam mais, um dos rapazes se adiantou e, acenando, gritou:

"Olá Dr. Paulo, como vai o senhor?"

Paulo, sem saber ao certo quem era, cumprimentou-o, trocou algumas palavras e foi emfrente, alivia por não ter ocorrido o assalto que ele pressentira.

Passadas duas semanas, Paulo foi para a cidade do interior, onde residira por muitos anos, a fim de rever familiares e amigos.

Na oportunidade, aproveitou para visitar uma família que dele recebia auxílio continuada, há anos:

A mãe da família disse-lhe, para sua surpresa:

"O senhor sabia que quase foi assaltado recentemente em São Paulo?"

E ele respondeu:

"Mas como a senhora sabe disso?"

E a senhora continuou:

"Na verdade soube pelo meu filho mais velho, que o senhor conheceu ainda rapazinho, mas que há anos vive sozinho por aí, por opção. Ele enveredou pelos descaminhos da vida. Esteve aqui dia desses e comentou que encontrou o senhor numa rua. Disse que estava com um amigo e juntos preparavam-se para assaltar alguém, quando o reconheceu, bem como sua esposa. Lembrou-se de todas as vezes que o senhor e dona Estela vêm aqui em casa e o quanto já nos ajudaram nesses anos todos. Rapidamente ele se antecipou ao amigo, gritando o seu nome e vindo em sua direção, para criar obstáculo ao outro comparsa, e demonstrar que o senhor não podia ser assaltado, pois era conhecido. Graças a Deus ele não cometeu nenhum desatinho com o senhor."

"Graças a Deus", respondeu Paulo. E ficou a pensar nas coincidências da vida. Nesse caso uma coincidência feliz.

Causa e efeito: Paulo causou o bem a alguém e o efeito foi se beneficiar do resultado desse bem distribuido em nome do auxílio ao próximo.

Pensando em lei de causa e efeito, ou também conhecida como lei do retorno, podemos podemos procurar entender algumas questões da vida.

Ontem, colocamos o orgulho e a vaidade no peito do irmão que nos seguia os exemplos menos felizes: hoje, talvez o tenhamos de volta, na feição de esposo despótico ou filho problema, para sovermos juntos o cálice da redenção.

Ontem, esquecemos compromissos veneráveis, arrastando alguém ao suicídio, hoje possível reencontramos esse mesmo alguém na pessoa de um filhinho, portador de moléstia irreversível, atendendo-lhe, à custa de lágrimas, o trabalho do reajuste.

Ontem, abandonamos a companheira inexperiente, à mingua de todo auxílio, situando-a nas garras da delinquência, hoje, moramos no espinheiro, em forma de lar, carregando fardos de angústia, a fim de aprender a plantar carinho e fidelidade.

Assim, cada elo de simpatia ou cada sombra de desafeto que encontramos na família ou na atividade profissional, podem ser forças do passado a nos pedir mais amplas afirmações de trabalho e dedicação ao bem.

Tenhamos sempre em mente que todos os delitos que cometemos não desaparecerão no silêncio do túmulo, porque a vida prossegue, além da morte, desdobrando causas e consequências.

Assim sendo, diante de toda dificuldade e de toda prova, façamos o melhor ao nosso alcance.

Ajudemos aos que partilham conosco as experiências, e oremos pelos que nos perseguem, desculpando todos aqueles que nos injuriam.

A humildade é a chave de nossa libertação. Dessa forma, sejam quais forem os obstáculos, lutemos para superá-los com dignidade de honradez.

E não nos esqueçamos de que a conquista da nossa felicidade começa nos alicerces invisíveis da luta dentro do próprio lar.

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