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Mensagem Della Morena (01/07/2019)

Núcleo Multimídia - 01.jul.2019

Dois amigos cultivavam o mesmo campo de trigo, trabalhando arduamente a terra com amor, e dedicação, numa luta estafante, às vezes inglória, à espera de um resultado compensador.
Passam-se anos de pouco ou nenhum retorno. Até que um dia, chegou a grande colheita. Perfeita, abundante, magnífica, satisfazendo os dois agricultures que a repartiram igualmente, eufóricos.
Cada um seguiu seu rumo.
À noite, ja no leito, cansado da brava lida daqueles últimos dias, um deles pensou:
- Eu sou casado, tenho filhos fortes e bons, uma companheira fiel e cúmplice. Eles me ajudarão no fim da minha vida. O meu amigo é sozinho, não se casou, nunca terá um abraço forte para apoiá-lo. Com certeza, vai precisar muito mais do dinheiro da colheita do que eu.
Levantou-se em silencio para não acordar ninguém, colocou metade dos sacos de trigo recolhidos na carroça e saiu.
Ao mesmo tempo, em sua casa, o outro não conciliava o sono, questionando:
- Para que preciso de tanto dinheiro se não tenho ninguém para sustentar, já estou idoso para ter filho e não penso mais em me casar? As minhas necessidades são muito menores do que as do meu sócio, com uma família numerosa para manter.
Não teve dúvidas, pulou da cama , encheu a sua carroça com metade do produto da boa terra e saiu pela madrugada fria, dirigindo-se à casa do outro. O entusiasmo era tanto que não dava para esperar o amanhecer.
Na estrada escura e nebulosa daquela noite de inverno, os dois amigos encontraram-se frente a frente.
Olharam-se espantados. Mas não foram necessárias as palavras para que entendessem a mútua intenção.
Assim lembramos que o amigo é aquele que no seu silêncio escuta o silêncio do outro, a atitude dos dois amigos foi o perfeito escutar de dois silêncios.

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