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Divulgação
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A segunda reportagem sobre as complicações mais recorrentes da visão explica o que são retinose pigmentar, glaucoma, catarata, ceratocone e vista cansada, apresenta algumas novidades na área de oftalmologia, como o transplante de córnea artificial, e mostra até os efeitos danosos da pressão alta para o olho.
Esperança
A retinose pigmentar é uma doença hereditária que leva à perda progressiva da visão até a cegueira total, mas agora surge uma esperança de tratamento, com base no uso das células-tronco, derivadas da medula óssea do próprio paciente, portanto, sem o risco de rejeição. A pesquisa, feita em Rio Preto, implica em separar as células-tronco e implantá-las no vítreo - espécie de líquido gelatinoso que fica sobre a retina - do globo ocular da pessoa.
Daí elas liberam substâncias que estimulam o funcionamento da retina.
O estudo, que já está em fase adiantada, mostra que é possível estabilizar a doença e até produzir a melhora no campo visual, o que até o momento era impossível. Também teve início outro estudo clínico com uso de células-tronco derivadas da medula óssea do próprio paciente para tratamento da degeneração macular na forma mais grave.
O responsável pela pesquisa é o oftalmologista Rubens Siqueira, do Departamento de Retina do Hospital D’Olhos, de Rio Preto, e pesquisador do departamento de retina da USP de Ribeirão Preto.
Microincisão da catarata
A catarata é uma lesão ocular que atinge e torna opaco o cristalino, o que compromete a visão. A retirada de catarata já é possível de ser realizada em centros especializados com uma microincisão que chega no máximo a dois milímetros. Outro avanço importante são lentes especiais, multifocais, ou seja, promovem a correção do grau tanto para perto quanto longe. A vantagem é que esta técnica diminui ou elimina a dependência do uso de óculos para uma parcela da população. Porém, ainda é um procedimento em fase de desenvolvimento com resultados polêmicos e variáveis, e não há consenso entre as sociedades nacionais e internacionais da área.
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Sergio Isso
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Oftalmologista rio-pretense Rubens Siqueira pesquisa o uso de células-tronco para tratar retinose pigmentar
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O nome vem de cerato (córnea) + cone (forma côni-ca). Trata-se de uma doença degenerativa caracterizada por um afinamento progressivo e aumento da curvatura da córnea. À medida que a córnea vai se tornando afinada, a pessoa passa a ter baixa visão - que pode ser moderada ou severa -, dependendo da quantidade do tecido corneano afetado. Muitas pessoas não percebem que têm ceratocone, pois no início ocorre apenas o aparecimento de miopia e/ou astigmatismo. Em geral, o ceratocone se inicia na adolescência, por volta dos 16 anos, e pode evoluir rapidamente ou, em outros casos, levar anos para se desenvolver.
A boa notícia é que hoje já é possível combater com uma nova tecnologia para tratar de ceratocone com o chamado “Crosslinking” (cuja sigla é CXL). Por meio desta técnica, é removido o epitélio corneano e uma solução da substância Riboflavina é aplicada a cada 5 minutos, durante meia hora. Essa substância vai tornar o colágeno mais sensível aos raios UV. Os Raios UV são aplicados durante meia hora para promover o fortalecimento das fibras de colágeno.
“Os resultados obtidos são animadores. Esta é uma opção de tratamento que tem evitado sua evolução e um consequente transplante de córnea”, diz o oftalmologista Leonardo Henrique Beraldo, especialista em córnea e cirurgia refrativa, do Hospital do Olho Redentora, de Rio Preto.
Laser contra glaucoma
O glaucoma é uma doença causada pela lesão do nervo ótico relacionada à pressão ocular alta. Raramente apresenta sintomas. Os sinais só vão surgir nos glaucomas agudos, quando o paciente sofre fortes dores de cabeça, fotofobia, enjoo e dor ocular intensa.
Para o diagnóstico, alguns exames devem ser realizados, entre eles o fundo de olho (para avaliar se existe lesão do nervo). As novidades para quem sofre deste mal são novos colírios e lasers. Também está em pesquisa a substituição do nervo ótico para quem já perdeu a visão para o glaucoma. Ela poderá ser feita com componentes eletrônicos ou com células-tronco.
Segundo o oftalmologista Marcelo Mendonça, de Rio Preto, é uma alternativa para evitar a cegueira, mas são técnicas que ainda estão em fase de pesquisa, não têm resultados aplicáveis.
Os exames de imagem digital são uma realidade e têm-se tornado praticamente essenciais no acompanhamento moderno da doença ocular.
Transplantes de córnea
Pesquisadores de Harvard, nos Estados Unidos, têm obtido resultados positivos com a “Boston Type”, uma nova técnica em cirurgia de implante de córnea artificial desenvolvida para devolver a visão A pacientes em que a cegueira não foi causada por doenças autoimunes.
A cirurgiã responsável, Kathryn Colby, diz que a cirurgia é simples e já é considerada a melhor indicação para pacientes que não teriam bons resultados com o transplante de córnea tradicional.
Durante os estudos, foram examinados 44 pacientes, operados entre janeiro de 2006 e junho de 2010. Deles, 60% tiveram melhor acuidade visual em um mês e 80% tiveram o mesmo resultado em um ano. Embora os resultados sejam favoráveis, de acordo com o oftalmologista Marcelo Mendonça, diretor da Sociedade Brasileira de Glaucoma e diretor do Instituto Glaukos de Pesquisa, existe uma limitação para o uso deste método para pacientes com glaucoma.
“Após o transplante, dos 23 olhos com esta doença, em cinco o problema se agravou.” Além disso, de acordo com Mendonça, em 27 olhos sem glaucoma pré-existente, quatro desenvolveram pressão intraocular elevada, um fator de risco para o desenvolvimento do glaucoma.
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