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Virados do avesso
sábado, 28 de janeiro de 2012
Hipermobilidade esconde riscos graves para articulações e os ligamentos
 
  Divulgação
 
  Números de contorcionismo são bastante comuns nos circos

Quem nunca se impressionou com os movimentos de um contorcionista de circo? Como ele consegue fazer aquilo com o corpo? O que essas pessoas têm, e até então pouco conhecido, é um defeito congênito denominado hipermobilidade articular. De acordo com a fisioterapeuta Neuseli Lamare, professora na Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), que estuda o assunto, a literatura médica aponta para a existência de cerca de 30% da população com o problema da hipermobilidade articular, que é caracterizada pela capacidade de desempenhar movimentos articulares considerados fora dos padrões normais.

Muitas pessoas se exibem, e até sobrevivem como uma forma de profissão, sem saber que sua condição se deve a uma alteração genética. O problema é que podem começar a surgir complicações que vão de uma simples torção no joelho ou entorse de tornozelo, até consequências mais graves, que afetam as articulações. Neuseli explica que a hipermobilidade é também a causa de muitos desvios na coluna vertebral e nos joelhos, de lesões de ligamentos, tendinites e bursites, e até mesmo de incontinência urinária.

“Este é um defeito genético dos tecidos moles, tais como tendões e ligamentos. Os contorcionistas dos circos são um exemplo clássico dos níveis de flexibilidade articular que um portador do defeito genético pode alcançar”, esclarece. A fisioterapeuta observa que o diagnóstico é realizado por meio de um procedimento físico rápido e sem custo. O mais comum é o Método de Beighton, um exame simples e sem a necessidade de equipamentos que vai apontar quais os pontos de elasticidade no corpo do paciente.

Caso o exame acuse frouxidão em pelo menos cinco dos nove pontos corporais analisados, o paciente pode ser considerado um portador da hipermobilidade. “A flexibilidade corporal faz com que a pessoa perca o eixo do corpo. É como se o paciente perdesse o equilíbrio do corpo, sem perceber que isso acontece”, diz.

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Danos no coração

Estudo recém publicado pela Revista da Universidade de São Paulo. intitulado “Variabilidade da frequência cardíaca em mulheres com hipermobilidade articular”, de autoria de Mariane de Oliveira Nunes, entre outros pesquisadores de uma equipe multidisciplinar da Faculdade São Lucas, no Laboratório de Fisiologia Cardiovascular, de Porto Velho, em Roraima, demonstra que tanto a contração como o alongamento do músculo esquelético ativa fibras nervosas ocasionando um aumento da frequência cardíaca.

Os pesquisadores explicam que a elevação da modulação parassimpática induz uma estabilidade elétrica do coração, ao passo que a atividade simpática elevada aumenta a vulnerabilidade e o risco de eventos cardiovasculares.Daí se concluiu que as pessoas que são hipermóveis necessitam de enfoque terapêutico diferenciado quanto à prescrição de exercício físico, com maior acompanhamento na prática regular de atividade física.

Há muitas pessoas que procuram os consultórios com queixa de dores no corpo, sem saber que são vítimas da hipermobilidade articular, e sequer seus médicos pensam na possibilidade de um diagnóstico específico nesta linha. Por isso, a fisioterapeuta rio-pretense observa que o ideal seria que em toda rotina de exame físico se incluísse o teste para detectar o portador. “Mas o teste ainda é desconhecido pela maioria dos profissionais da saúde”, afirma.


Benefícios da osteopatia


Como alternativa ao tratamento de lesões do sistema neuro-músculo-esquelético, a osteopatia, uma técnica que ajuda a reequilibrar o organismo por meio de técnicas manuais, é considerada uma ferramenta importante no auxílio dos hipermóveis. Segundo o osteopata Paulo Roberto Santana Misiagia, do Espaço A, de Rio Preto, trata-se de um meio de diagnóstico e tratamento diferenciados, que se utiliza de recursos manuais avançados para interferir na estrutura corporal e restabelecer a função normal do organismo, com vistas a promover o bem-estar geral do organismo.

No caso de quem sofre com dores em geral, o osteopata explica que a osteopatia localiza e corrige a causa das dores e não somente os sintomas, uma vez que, muitas vezes, estas manifestações de dor podem ser alertas do próprio organismo para algumas das alterações e disfunções musculares, neurais e articulares que influenciam significativamente na capacidade de restauração da saúde. ”A técnica auxilia na diminuição da dor e dos desconfortos físicos ao promover o reequilíbrio entre a estrutura e a função do corpo, através de avaliação, testes e técnicas específicas para cada estrutura”, explica.

 
 
 



 
 
 





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