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Sergio Isso
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Eliana Ribeiro, gerente de marketing de shopping: ela tira férias de 15 dias, mas fica ligada no trabalho, comandando de longe
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Ansiedade, insegurança, estresse. Esses são alguns dos motivos que levam muitas pessoas a não conseguir se desligar do trabalho e, mesmo em férias, não aproveitar o tempo de descanso. Atender telefonemas da empresa e checar o e-mail profissional são exemplos de algumas atitudes. Quando feitas de maneira moderada, não interferem em nada. Mas exageros comprometem as férias e o que era para renovar os ânimos para encarar o trabalho vira complicação.
Para a psicóloga clínica Silvia Homsi, muitas pessoas levam pelo menos uma semana para se acostumar à rotina das férias. “Isso acontece porque o organismo ainda está em ritmo acelerado, com as tarefas, preocupações e responsabilidades. Assim, o cérebro pode demorar um pouco para relaxar e esquecer os problemas”, afirma. Depois da primeira semana, as férias começam a ser curtidas de um jeito mais natural. O nível de preocupação pode variar conforme o cargo e as responsabilidades que o trabalhador tem na empresa. “Se ele sai e deixa outra pessoa exercendo a função, as preocupações tendem a ser maiores, porque podem entrar em contato pedindo informações”, diz Silvia.
Contatos durante as férias, quando extremamente necessários, não podem ser evitados. Mas ligar para a empresa ou interromper as férias por qualquer coisa é prejudicial ao descanso e só atrapalha. Contatos desnecessários não são aconselháveis porque o organismo já está adaptado e se recebe alguma informação pode gerar preocupação. “Além disso, se estiver viajando, por exemplo, talvez não possa ajudar. Os níveis de estresse e preocupação, entretanto, vão aumentar”, diz Silvia. Em negócios que param durante o período das férias, é possível um maior desligamento já que não há com o que se preocupar. Readaptar-se ao trabalho também costuma levar um tempo, que em média é de uma semana.
De acordo com Silvia, o ideal é tirar pelo menos 15 dias de férias para que haja tempo de o organismo se acostumar com as mudanças e conseguir descansar. Caso não aproveite o tempo de repouso, o trabalhador pode retornar ao emprego e ter dificuldades de desempenho, já que o nível de estresse vai estar maior do que deveria. “E até pela frustração de não ter conseguido aproveitar como desejava”.
Mínimo de duas semanas
Tirar férias de pelo menos duas semanas como sugere a psicóloga clínica Silvia Helena Homsi não entra nos planos da gerente de marketing do Plaza Avenida Shopping, Eliana Ribeiro. “Não costumo tirar férias longas. Sempre são de uma semana a dez dias”, afirma. A rotina nesse período é de lazer, mas sem se desligar dos assuntos da empresa. Eliana costuma ligar algumas vezes para saber como estão as coisas e dar alguma orientação caso necessário. Deixar o telefone ligado é regra. E ela justifica. “No varejo as decisões precisam ser rápidas e muitas vezes consigo encaminhar atividades com a minha equipe, mesmo não estando presente”.
Mesmo assim, Eliana acredita que consegue aproveitar bem os dias de descanso. Atender as ligações da equipe e saber o que está acontecendo deixa a gerente mais tranquila para aproveitar as férias. “Até porque o fato de atender chamadas e passar orientações não me incomoda. Sempre foi assim, desde que assumi posições de coordenação nos locais onde trabalhei”.
No começo da carreira, Eliana acredita que exagerava um pouco e acabava levando preocupações profissionais para o convívio particular. Conforme assumia mais responsabilidades, aumentava o nível de incômodo no tempo de lazer. Mas agora tudo está diferente. “Com mais amadurecimento eu passei a separar melhor as coisas e acho que isso me ajudou a conduzir melhor os processos”.
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