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Carlos Gueller/Divulgação
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Palhaços vividos por Domingos Montagner, Fernando Sampaio e Filipe Bregantim interferem na rotina da praça Rui Barbosa, em Rio Preto, com música ao vivo e cores alegres
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Pessoas caminham com compras, como se fosse um dia qualquer. Não é. A praça Rui Barbosa, de Rio Preto, transforma-se em palco para “Rádio Variété”, da Cia. La Mínima, de Embu das Artes, hoje, às 10 e 12 horas, pelo 10º Janeiro Brasileiro da Comédia (JBC). De repente, uma verdadeira parafernália é montada a céu aberto. E as mesmas pessoas se aglomeram em um “auditório” para ver e ouvir as histórias dos palhaços Agenor, Padoca e Aderaldo, em um programa radiofônico de variedades.
A trupe é velha conhecida do público local. Já marcou presença no evento em 2009, com “A Noite dos Palhaços Mudos”, e em 2011, com “O Médico e os Monstros”, sem contar as passagens pelo Festival Internacional de Teatro (FIT), com “À La Carte”, em 2002, e “Piratas do Tietê”, em 2003, e as sessões esporádicas nas unidades do Sesc e do Sesi. Entretanto, é a primeira vez que explora um espaço urbano da cidade.
“A rua é nossa escola. Costumamos ter boa receptividade por onde passamos. Espero que os rio-pretenses também gostem”, diz Domingos Montagner, que divide as atenções com o parceiro Fernando Sampaio e o ator convidado Filipe Bregantim, do grupo Pia Fraus. A montagem estreou em 2010, como resultado final do projeto “Teatro Paulistano de Variedades”, contemplado pelo Programa de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo. O objetivo era pesquisar as diversas técnicas do repertório do palhaço brasileiro, que encanta plateias heterogêneas desde o século 19.
Até por isso, antes do processo de criação, foram feitas conferências abertas ao público com a presença de Augusto Bonequeiro, Palhaço Biribinha e Antonio Nóbrega. Figuras que costuram a peça com música, dança, teatro de bonecos e circo-teatro. A iniciativa de Augusto Bonequeiro, por exemplo,rendeu a inserção de um boneco ventríloquo, de uma nega maluca e de outras surpresas que valorizam a
apresentação. Nóbrega assina a supervisão geral.
E o próprio Bregantim é um talento descoberto por meio dos encontros.
A temática do rádio foi escolhida por simbolizar um meio de comunicação democrático, capaz de processar e transformar a informação em celebração da alegria popular.“Nosso trabalho traz várias referências, como às duplas Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, entre outras”, diz Montagner.Para completar o clima de picadeiro, as roupas são coloridas, com padronagens de listras e flores que remetem ao vestuário tradicional, e há música ao vivo para dar e vender, com piano de garrafas, violão, cavaquinho, trombone e instrumentos de percussão.
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TV Globo/Divulgação
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Montagner em sua versão galã global: gravações de “O Brado Retumbante”, em que o ator interpreta um presidente da República, terminaram em dezembro de 2011
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Vida dupla
Desde o ano passado, a rotina de Domingos Montagner virou de pernas para o ar.Embora tenha formação em circo e teatro e esteja à frente do La Mínima desde 1997, foi na televisão que o ator ganhou reconhecimento nacional. Primeiro, como o capitão Herculano, na novela “Cordel Encantado”, e, recentemente, como o presidente Paulo Ventura, na minissérie “O Brado Retumbante”. O nome dele também é cogitado para a próxima trama global de Glória Perez, reforçando o novo rótulo de galã.
Segundo Montagner, sempre que possível as turnês teatrais contam com a participação de seu stand-in, Marcelo Castro. Mas nem todos os trabalhos permitem sua ausência. “Não basta ser bom, a dupla precisa ter afinidade no palco. Como ‘Rádio Variété’ é um trabalho novo, não tenho substituto”, explica. O ator também está garantido no elenco da peça “Mistério Bufo”, que estreia em março, em São Paulo. A obra de Dario Fo, com direção de Neyde Veneziano, celebra os 15 anos da trupe. A escolha se deve à abordagem de aspectos políticos ainda não explicitados pelos artistas.
Com relação ao assédio dos fãs, ele mantém o profissionalismo. Para o artista, a única coisa que mudou foi a quantidade de pessoas interessadas em assisti-lo. “Gosto quando o público vai nos assistir porque me viu na TV, mas, durante o espetáculo, reconhece minhas origens”, afirma Montagner, garantindo que não pretende deixar os palcos tão cedo.
Outras opções
A programação também traz a peça “Barca do Inferno”, do Grupo Teatral Athos, de Batatais. Haverá sessões hoje, na praça Santa Apolônia, no distrito de Engenheiro Schmitt, e amanhã, no mesmo horário, na Represa. O trabalho foi cedido pelo Projeto Ademar Guerra, parceiro do evento, e é uma adaptação livre de “O Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente, com esquetes humorísticas envolvendo Deus e o diabo na disputa por almas.
A Cia. Falácia, do Rio de Janeiro, repete a apresentação de “Amor Confesso”, no Teatro Municipal “Humberto Sinibaldi Neto”, às 21 horas, e coordena o workshop “A Narrativa em Cena”, das 14 às 16 horas, na Oficina Cultural “Fred Navarro”.
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